2007/01/11

Coisas delirantes

Augusto Santos Silva justifica a ausência de Manuel Pinho no debate de hoje na AR:

A questão do preço dos bens essenciais não é uma questão económica.

Hasta Nunca Hugo

É favor ler...

Eu, que tantas vezes aqui saudei Chávez e a sua via alternativa, apesar de alguns já evidentes desmandos - apenas admissíveis, porque na sua maioria eram de ordem meramente retórica - sou levado a concordar (com quem haveria de ser?) com a
Economist. Os últimos passos deste «filho de Bolívar», coincidindo com a saída de cena de Fidel, são preocupantes. Um desilusão que pressentia, na certeza de que as ilusões, mesmo ou especialmente as da política, são coisas de acarinhar.

jmf

Nota do copista: Hugo Chavez enganou apenas quem estava disposto a tal coisa. Esta história dos excessos de ordem meramente retórica, como escreve o jmf, eram outra coisa, bem clara para quem come o nata, toma a bica todas as manhãs e ainda por cima só lê jornais portugueses: ameaças.

Bem sei, estou a classificar os excessos retóricos.

Convenhamos que quando um Chefe de Estado diz certas coisas meramente retóricas eu tenho a tendência para achar que ele as quer por em prática, afinal ele é o chefe.

2007/01/10

Tempos de Antena abortados

O governo está a apostar politicamente no resultado previsível deste referendo. Compreende-se.
Não se compreende a falta de conhecimento alegada pelo Governo e PS sobre a decisão da RTP em mudar o horário dos tempos de antena.
As implicações imediatas decorrentes desta decisão são demasiado óbvias e graves.

2007/01/09

O Natal já passou

Gosto de passar os olhinhos pelo que alguma gente escreve e de vez em quando dou com as fuças a pasmarem em pequenas pérolas, como esta...

Na minha opinião de pessoa de pouca fé, só a ignorância pode fazer com que as pessoas se sintam intimidadas pela exibição pública e pacífica de religiosidade ou de símbolos religiosos. Já para não falar em intolerância e agressividade, como apreciei noutros tempos em zonas rurais para com as "testemunhas de Jeová". Não são fortes as nossas convicções e a nossa cultura? Precisamos de impedir os outros de exibirem as suas convições religiosas e até de as quererem partilhar connosco, tanto mais quando se trata de tradições culturais ancestrais? Não gostariamos também de acabar com as manifestações e e exibição pública de símbolos políticos e comerciais? Isso é que era bom! Pois em verdade vos digo, mais facilmente se impede o presépio que as promoções fraudulentas!

Isto é bonito, não é? É uma daquelas coisas em que um gajo, razoavelmente fervoroso, pensa o tempo todo quando tenta afastar a criançada - que berra e arranha - das próximidades de um Pai Natal.

Um gajo, com alguma Fé, merece ouvir destas muitas vezes, devia ler este bocadinho de prosa, antes de sair de casa logo ali por volta de Novembro até ao Natal.

Assim, quando os ranhosos dos putos entrarem no carro a cantarem umas merdas sobre neve, estrelinhas e pais natais em cima de melodias que sempre evocaram a Sagrada Família, um gajo sai calmamente do carro, vai ter com as senhoras que introduzem estas merdas politicamente correctas na caximónia dos petizes e lê isto aos berros... Caramba, se há Natal ele não se deve ao Pai Natal, mas ao Filho, do Pai.
LEI

Porque um aborto é sempre um drama e deve ser sempre uma excepção.

- a palavra aborto indicia só por si, um sentido negativo, um mal, uma prática desconsiderada pelo Homem, um atentado a algo positivo ou benéfico, neste caso a vida.- o aborto em si considerado, implica sempre um sofrimento físico, lesões posteriores e traumas psicológicos para quem o realiza. Nunca em si mesmo, representa um “bem” ou sequer uma “vantagem” para a mulher ou para a sociedade.

- Não sendo um “valor”, “bem” ou “vantagem” em si mesmo nunca pode ser admitida como regra, mas apenas e só como excepção. “Ser excepção”, significa que embora a realização do aborto seja negativa, perante um conjunto de situações individualmente consideradas se admite que a regra seja incumprida em benefício de um valor maior.Porque a lei actual já despenaliza o aborto nos casos de violação, perigo para a saúde física e psíquica da mãe e doença grave ou malformação do feto.

- O Direito Penal é um conjunto de normas que se autonomizam no ordenamento jurídico por atribuírem a certos factores (crimes), consequências jurídicas profundas (penas e medidas de segurança). Para a definição do que seja “crime” o legislador apoia-se na Constituição, recolhendo nela a sua legitimidade e os valores que pela sua importância necessitam protecção.

Não é por acaso que a doutrina define o Direito Penal como o Direito Constitucional aplicado.

- Para que um determinado facto, individualmente objectivado, seja considerado um crime impõe-se que:

- seja típico (uma acção ou omissão praticada com dolo ou negligência);

 seja ilícito (certas situações em que o acto praticado consubstancia uma verdadeira oposição à ordem jurídica considerada na sua totalidade. Excluem-se aqui situações de legitima defesa; exercício de um direito; cumprimento de um dever imposto por lei ou por ordem legitima da autoridade; com o consentimento do titular do interesse jurídico lesado; vide artº 31 CP.);

 seja culposo (quando é exigível segundo as circunstância do caso concreto um dado comportamento);

 seja punível (corresponde uma pena de acordo com a lei penal);- O aborto está previsto nos artºs140 a 142 do Código Penal. Ao referi-lo o legislador está a promover a sua protecção. Colocando-o num capitulo especifico dos “crimes contra a vida intra-uterina” está o legislador atribuir especial valor ao “tipo” de vida que resulta de um ser intra-uterino, ser esse que potencialmente será “pleno de vida”.

- O artº140 refere-se à moldura penal aplicável a situações de aborto (com e sem consentimento da mulher) sem motivo de excepção relevante. São situações em que por “inconveniência”, “surpresa” ou “não planeamento” a mulher grávida decide abortar. Nestas situações o legislador considerou que ao valor “conveniência, previsibilidade e planeamento se sobreporia o valor “vida intra-uterina”. Reúne-se os critérios de tipicidade, ilicitude, culpa e punibilidade nestas situações.

- O artº 142 refere-se a situações de “interrupção voluntária da gravidez não punível”, situações em que o legislador deliberadamente define como não sendo susceptíveis de pena:

a) situações em que o “estado” da mãe está em perigo e a realização do aborto é o “único meio de remover o perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida”. Pode-se realizar a todo o tempob) situações em que o “estado” da mãe está em perigo e a realização do aborto “se mostra indicado para evitar perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física e psíquica da mulher grávida”. Referir que o aborto “se mostra” indicado, significa que há uma previsão (por avaliação médica) de que, ao recorrer ao aborto, esse estado de perigo será eficazmente garantido, embora haja outros meios. Visto que estamos perante uma previsão falível o legislador só a admite até as 12 semanas.

A partir desse momento só opera a al. a) (nos casos de perigo para o “estado” da mãe).

c) situações em que se prevê que o nascituro virá a sofrer de doença grave ou malformação congénita, permitindo-se neste caso um prazo de 24 semanas. Para as situações de fetos inviáveis (ou seja fetos que só vivem em ligação com a mãe) a lei admite que possa ser praticado aborto a todo o tempo.

d) situações de violação em que a realização do acto sexual tenha sido praticado contra a liberdade e autodeterminação sexual, sendo para estes prazos atribuído o prazo de 16 semanas.

- Todas as situações da al. a) a d) são situações de exclusão da culpa. Ou seja, na lógica de que um facto deve ser típico, ilícito, culposo e punível para ser criminalizado, está aqui o legislador a querer transmitir a ideia de que aquela acção ou omissão com dolo ou negligência (típico) realizada em oposição à ordem jurídica (ilícito) punido de acordo com a lei penal (punível) não é considerado culposo porque perante aquelas circunstâncias

- limite não é exigível à mulher grávida outro comportamento que não a eliminação do feto (causa de exclusão da culpa). De uma forma mais simples, diz o legislador que perante o estado físico ou psicológico da mulher grávida ou as circunstâncias em que ocorreu a formação do feto, não se exige que ela dê a luz um filho.

Independentes pelo não

- Diz-se que as mulheres não devem ser julgadas e presas em Portugal por terem abortado.
PERGUNTA: Quantas mulheres foram julgadas e presas no nosso país por terem abortado até ás 10 semanas?
A afirmação tem razão de ser ou serve só para induzir em erro os mais distraídos?

- Diz-se que o aborto deve ser um direito da mulher.
PERGUNTA: Todos concordam (os defensores do “Sim” e os defensores do “Não”) que o aborto é sempre uma situação dramática para a mulher. Quem quer transformar dramas em direitos? Isto faz sentido?

- Diz-se que o aborto é uma solução dos países modernos.
PERGUNTA: O aborto só foi descoberto agora?
A prática do aborto é uma prática antiga, própria de tempos em que não existiam meios de informação e métodos contraceptivos seguros.
Defender o aborto em Portugal, em pleno século XXI, não é uma atitude retrógrada? Não é defender uma solução ultrapassada?

- Diz-se que o que agora está em causa é a despenalização do aborto.
PERGUNTA: Mas o aborto não foi já despenalizado em 1984? Não está já despenalizado o aborto em caso de malformação do feto, violação da mulher e perigo para a saúde e vida da mãe?

- Diz-se que a liberalização do aborto é uma vontade dos cidadãos
PERGUNTA: Será? O voto dos cidadãos no referendo de 1998 não provou o contrário? Não foi essencialmente uma certa classe política que elegeu a defesa do aborto como uma prioridade?
Os verdadeiros problemas e prioridades do dia-a-dia dos cidadãos não são outros?

- Diz-se que o aborto deve ser incluído no nosso Sistema Nacional de Saúde.
PERGUNTA. É justo que tal aconteça, quando existem tantas e tão longas listas de espera para consultas, operações e outros tratamentos importantes? Será esta uma questão que só diz respeito aos que estão doentes e precisam dos hospitais públicos? Porque é que há alguns que agora não falam disto?

- Diz-se que o aborto não vai sobrecarregar o Serviço Nacional de Saúde pois o Estado pode subvencionar clínicas privadas
PERGUNTA: E com tantas carências e necessidades que ainda atingem tantos portugueses, é para esse fim que deve ir uma fatia importante dos nossos impostos?
É esse financiamento que elegemos como prioridade dos cidadãos?


(in http://www.independentespelonao.org/)

2007/01/08

Hayek para consumo liberal

Sadam Enforcado

…a Europa está indignada, é compreensível. O Iraque está feliz ou zangado (consoante se seja xiita ou sunita), o que se compreende. Os EUA estão à espera a ver no que isto dá, o que também se compreende.
Não se compreende que Sadam seja objecto de uma querela moral sem que ela tenha qualquer base lógica: A Europa é maioritariamente contra a pena de morte, sendo que se estivesse a viver uma situação similar na totalidade do seu território (como já aconteceu antes) era capaz de pensar de maneira diferente e agir em conformidade. O Iraque não se está a imaginar a recorrer aos valores ocidentais para determinar as suas decisões. Os EUA nunca tiveram tais problemas na sua recente história militar, onde a pena de morte é facilmente aceite como uma necessidade.
Ficam as questões que importa responder, a quem interessa esta discussão? Quem ganha em afirmar objecções ou apoios à decisão de enforcar um assassino de massas? (há esse pequeno pormenor que tem ditado sentenças similares com raras excepções)

Cavaco Silva

… eis que o nosso Aníbal falou, outra vez, ao país que ele se esforça por recuperar.

E que disse cavaco de tão transcendente que nem os mais excelentes bloggers e comentadores oficiais do reino puderam ignorar? Pouca coisa. Resumindo disse que quer resultados concretos.
Como escreveu o duo dinâmico “Constança/Pulido Valente”, fica a dúvida de se saber de que falava cavaco quando apelidou este Governo de “reformista”?
Não acho que o próprio Cavaco estivesse a pensar que ia ter tanto sucesso, afinal o que pede ele que qualquer gato pingado não peça? Nada.
Certo foi que de um lado tivemos um PS emburrado e dou outro um PSD aos pulinhos a imaginar a dor de cabeça que Sócrates estava a ter. Estão os dois errados, como de costume, por razões mais do que óbvias.
Uma delas é que quem diz que Sócrates é reformador é porque não lhe vê dificuldades em apresentar resultados, a não ser que saiba que estes não existem e assim esta exigência é um exercício de retórica e ponto final.
Outra, é que nem o PSD deve imaginar que Sócrates seja estúpido para não apresentar nada, nem que seja uma aparência de resultados, nem o PS deve esperar muitas dificuldades de Cavaco enquanto tiverem uma maioria absoluta.
Uma última razão (sinto-me especialmente generoso para dar mais uma) é que…tcham, tcham… Sócrates ainda tem uma maioria.

Heeeeeeere's Duncan!!

Voltei...

2006/07/18

Algumas coisas vão mudar

Who’s that girl?

Amada Congdon, a cara do VideoBlog Rocketboom, o que não é dizer pouco, foi posta a andar pelo seu sócio. Bom, não exactamente, Andrew “sócio maioritário” do Rocketboom, acho que ela não deveria criar conteúdos mas apenas ser a cara do diário.

Ela achou que não.

Assim e após uma acalorada troca de argumentos entre os dois através da Internet, ou seja, após uma peixeiradanética*, o affair Amanda Congdon tornou-se assunto nacional, embora ela já o fosse e tivesse mesmo feito de si própria num episodio da série CSI.

A questão mais interessante, senão a única, é a da se discutir se podemos ainda falar de Blogs ou Vblogs como um fenómeno marginal ou não seria melhor a media mais mainstream começar a olhar para as Amandas deste mundo com muito mais atenção.


*CopyRight

2006/07/03

Portugal no Mundial

Uma das coisas mais simpáticas sobre futebol, sobretudo nestas alturas e sobretudo desde 2004, é a forma como se clarificam as posições, as posturas e as opções de muito boa gente, em benefício de todos.

A ternura que tanto socialista hoje jura pelo folclore que abominava em 2004 é mais um desses deliciosos momentos.

2006/06/22

Um programa de televisão (pública) para todos

O que eu gostava mesmo era de um prós e contras mais musculado, coisa para malta que considera o serviço público de televisão como coisa viável, assim, séria.
Não era muito mais útil e até educativo, física e mentalmente atractivo, um “prós e contras” estilo WWF?

Para começar mandávamos a Fátima Campos Ferreira para a porta de entrada distribuir cartazes de apoio, para a porta de um pavilhão qualquer, de decote ousado, coisa que garantia a entrada de pelo menos 10 intelectuais, para dizerem bem do programa, tipo Barreto e JPP, talvez o indeciso Medeiros Ferreira porque o Prado Coelho não precisaria de ser convencido a dizer bem de nada, basta ele escrever para cada um tirar as conclusões que lhe apetecer.
Perdi-me outra vez…

Bom, o que eu gostava era mesmo disso, de um “prós e contras” com aquele nevoeiro que se usa nos concertos mais reles, com o Jorge Gabriel a anunciar os intervenientes aos gritos

“…. e agora de fato cinzento e gravata cremezinho, na mesa dos prós… Meeeeeediiiináááá Carreiráááá´!
(pausa dramática)
E no canto do contra o actual campeão nacional Viiiiiital Moreirááá´!!!”

Os dois entravam ao som de música com fogo de artifício e roupões garridos e por aí a fora.
Isto tudo com regras, obviamente.

Assim, o primeiro que dissesse, Não foi isso que eu disse ó Senhor Doutor era penalizado com falta técnica e o público poderia manifestar-se livremente, aos urros se preciso fosse.

Apesar de tudo sempre era mais fiel ao espírito do programa. Afinal qual é a graça de horas de debate e leves indirectas, falsas ofensas e sorrisos cúmplices? Se é para gramar uma telenovela mexicana mais vale que seja a sério.











Medina Carreira subjuga Vital Moreira

2006/06/19

Futebol simples não é futebol.

É assim mesmo meus caros palermas! Na sala, na praia e no carro. Bandeiras e pontapés. Ai! Ai! E a crise?! A vida não pode ser só futebol! Não pode?!! Pode, pode…e é. Não será para sempre, pouca coisa dura para sempre mas por ora… não se pensa nem se fala em mais nada e convenhamos, haverá coisa mais clarificadora do que assistir numa tasca a um jogo de futebol, ver as reacções de ingleses, brasileiros, alemães e portugueses num qualquer bar do Algarve à dança do Cristiano Ronaldo?

Não, não há.

Cruijff achava que era difícil jogar de uma forma simples, mas não é, o que não tem faltado neste campeonato é simplicidade, anda tudo numa de simplesmente jogar, o que até pode ser futebol, mas suscita o mesmo tipo de entusiasmo, simples, discreto, calmo…uma merda. Afinal haverá alguma coisa mais extraordinária que o coro conjunto de mil nações maravilhadas com aquele “vai não vai” do miúdo? Aquele “wohhhhh!” que sai instintivamente das gargantas de bifes, brasucas e tugas, aquele congelar de canecas e copos de cerveja a caminho da boca quando o miúdo tenta passar entre 4 gajos?

Não, não há e mais também não há crise nenhuma que valha um corno…

Não perceberam... vão ler isto... e já agora, alguém que tenha assistido ao Brasil de 1982 se esqueceu do que viu nesses dias? Eu não.

2006/06/09

Eu até nem gosto de telenovelas...




bom... parece que esta senhora é actriz numa telenovela brasileira que dá cá... ora bem...eu ...errr. não sei qual é....mas podiam-me ter avisado que eram tão...errr....interessantes... as novelas...errr...eu não sabia...quer dizer...bom... lá teremos de ver a telenovela.... lá terá de ser...

Zarqawi foi assassinado

…dizia-me uma simpática pessoa amiga.

“Dê lá por onde der, o que fizeram foi um atentado à vida dessa pessoa. Ela era má, era um monstro, mas nós fizemos o mesmo. Matamos o gajo.”

Ora que porra! Ó amiginho! Por uma questão de decência não me pus a dançar pela morte do “monstro”, só por isso. Entre atentado e um acto de guerra até podemos discutir, podemos… vá lá… trocar umas impressões eruditas e cheias de café. Podemos.

Matámos uma ameaça à espécie humana, digo eu.

Quem degola um ser humano amarrado, que grita e esperneia enquanto sente a sua cabeça ser separada do corpo, não é bem um ser humano, é outra coisa.

E bem podes estafar-te a convencer-me das origens dessa perda de humanidade que daqui não me mexo.

Morreu aquela besta foi? Mataram-no? Matámo-lo?!

Ora ainda bem.

2006/06/06

Ora vamos lá ver

Depois de reflectir sobre isto, dirigi umas palavrinhas ao pessoal cá da chafarica.

Minhas senhoras e meus senhores…

(silêncio)

Não há dinheiro para pagar a todos, sendo que todos já são demais, anda por aqui gente que mais não faz que descascar laranjas e atazanar o juízo dos outros, há mesmo uns que são de partidos políticos pouco recomendáveis.

(Algumas tosses de nervosismo)

Bom mas adiante…

Assim, para que depois não digam que eu não tenho sensibilidade social, vou convidar uns tantos a irem trabalhar para outro lado, o que é voluntário, não obrigo ninguém… A propósito de trabalho, o Zé, o Miguel, a Berta e o Duarte vão trabalhar a partir de hoje em novas instalações, aquela salinha lá no fundo, sem janelas (eu já lá pus o quadro catita para alegrar) a dobrar caixas de papelão até ... Dezembro.

(Os referidos palermas agitam-se nos lugares)

Como eu dizia, não se obriga ninguém a sair, é voluntário. Mas quem quiser sair fica garantido que recebe aí um terço do que ganha nos primeiros tempos que já estiver a trabalhar noutro sítio. Tão a ver? Até nem é mau.

(Os palermas fazem contas à vida)

Como sabem, eu preocupo-me muito com a eficiência deste pardieiro pelo que criarei uns prémios de desempenho para os melhores funcionários, em dinheirinho…claro que só há dinheiro se alguém resolver sair, é com o dinheiro que sobrar dos ordenados que não vamos pagar.

(Os estúpidos olham uns para os outros)

Portanto…entendam-se lá uns com os outros senão, olha, não há prémios para ninguém…

(Os estúpidos olham uns para os outros e em especial para os palermas)

Onde é que eu ia?...

(Um dos palermas começa a arrumar a tralha)

Ah! Andam para aí uns zunzuns que a Clarinha e eu temos um caso.

(Tudo a olhar para o chão...os hipócritas)

Ora bem, para que fique bem claro, eu não tenho nada com a Clarinha, que anda muito transtornada com este assunto, eu sou um homem casado e feliz e não aprecio disparates deste género.

(A Clarinha olha com ar reprovador para os estúpidos... Tem cá um par... de olhos)

Para terminar, queria dar os parabéns ao Gabriel que foi eleito na quinta-feira na secção do Partido cá da freguesia, qualquer dia é ministro!!!

(Cabrão, tenho de dar graxa... é por causa de ti que o partido não passa da cepa torta)

Hehehe…Bom. Agora vamos lá trabalhar que a vida não é só isto.

(Nota: tenho de dizer à Clarinha que já reservei hotel para dois para o Congresso do Partido... nunca se sabe)

2006/06/02

O Dia do Labrador

Um grupo de génios parlamentares justificaram a criação do dia do Cão com o facto de este ter um papel relevante no combate ao tráfico de droga, guia para cegos ou outros cidadãos portadores de deficiência. Ora, o cão do meu vizinho, ilustre rafeiro nascido de uma Labradora promíscua e um Serra da Estrela discreto, mostrou-se deveras indignado porque o projecto do PSD privilegiava claramente as origens nobres da sua mãe e excluía as origens mais humildes de seu pai.

Um Dálmata amigo também confessou que o projecto só contemplava uma ou duas raças, em especial os Labradores, deixando de fora muitos outros o que era claramente injusto. Nas palavras dele: “se não fosse a época de Natal e os filmes da Disney já nem havia pessoas com’á gente!”

2006/05/30

Mosquitos Socráticos

Era de tarde, estávamos numa praia à qual fui duas vezes na vida, esta era a segunda e não me espanta que seja a última.

Na primeira ida, a minha bendita senhora sentou-se com as crianças ao lado de um grupo de halterofilistas amadores e suas respectivas donzelas, umas meninas com costas de nadador profissional de mariposa com a agravante de não saberem nadar “à cão” sequer. Umas meninas de traseiro musculado e fio dental, umas “Sónias”, com um ar feroz e que não andam, desfilam, pavoneiam-se e olham pelo canto do olho para o efeito provocado. Tudo isto com os respectivos armários de tanga a rosnar em redor que precisavam de exercitar as pernas.

E Pumba! Lá iam eles a correr para o mar com grande estardalhaço e sonoro chapão na onda de 27,5 cm, saindo de lá a ajeitar o “pacote” no meio de uma confusão de espuma e areia.
Posso jurar que cada vez que o faziam voltavam com menos 10 pontos no QI, provavelmente porque à força de enfiar com a tromba na areia em cada mergulho, alguns dos solitários neurónios decidiam fazer-se à vida.

Milhares de neurónios vindos das duas margens do rio reúnem-se no meio e são há anos absorvidos por golfinhos, é por isso que estes, embora raros, são dos mais inteligentes no mundo.
Ora este comportamento, sendo estranho, creio que tem directa relação com o facto de termos violado uma das regras fundamentais das praias portuguesas. Chaque macace dans son galhe.
A culpa era nossa.

Temi que a segunda ida a esta praia tivesse o mesmo resultado, não foi assim. Desta vez, respeitaram-se as fronteiras tacitamente estabelecidas entre diferentes castas sociais. Facto incontornável em qualquer praia do país e que obedece a rituais precisos.

Por exemplo, havendo liberdade total de deslocação nos vastos areais portugueses, é sabido que há uma parte onde se agrupam os meninos bem e uma parte saloia, com fronteiras bem definidas, como na Praia Grande onde para lá do Angra estão os betinhos, em primeiro lugar as famílias numerosas, depois os grupos fashion (malta solteira ou divorciada sempre na moda e sempre à caça) e lá para o fundo os fashion alternativos (gente que passa férias na quinta do Balsemão e faz ioga).
Do lado de cá e até à piscina fica o resto, os saloios, mais os surfistas, muito juntinhos uns aos outros o que é outra característica do lado mais popularucho da praia, a necessidade de compartilharem em alegre intimidade um espaço comum.

Este estado de coisas ocorre em qualquer praia, de norte a sul do país, a violação destas regras origina sempre chatices. Uma família beta no lado popularucho põe todos nervosos e vice-versa.

Tudo corria bem, tudo estava feliz e contente, estando eu a olhar pelos miúdos que faziam ameaças rituais de que se iriam atirar á agua, uma gritaria infernal que me impediu de prestar atenção a um fenómeno estranho que se passava nas minhas costas.
Só quando um estranho silêncio se abateu sobre a praia é que olhei para trás, assisti a uma debandada geral, gente a agitar freneticamente os braços e toalhas, até a minha mulher agitava os braços fazendo estranhos sinais.

Olhei em volta e só vi três moçoilas pretas o que é manifestamente pouco para causar um ataque histérico daquele lado da praia, eram moçoilas grandalhonas mas mesmo assim não via justificação, polícias de choque nem vê-los, pelo que me inclinei para um elemento do Bloco de Esquerda munido de uma câmara de filmar, sendo que só um justificaria a debandada, mas também não vi nenhum.

Lá peguei nos miúdos e dirigi-me ao repositório de baldes e pás, para perceber que uma gigantesca nuvem de minúsculos mosquitos cobria toda aquela zona.

Mosquitos completamente alheados das convenções vigentes e aceites, mosquitos que tratavam todos por igual, incomodavam todos da mesma maneira e obrigavam todos, sem olhar a raça, credo ou condição social, a ir para casa, mosquitos governamentais, imbuídos do mesmo espírito que marca os socialistas modernos.

Mosquitos da terceira via.

Em coisa de minutos puseram todos, brancos, pretos, ricos, pobres, todinhos dali para fora á força de picadas.

Pelo caminho, olhávamos uns para os outros, pela primeira vez unidos pela flagrante e vergonhosa violação das convenções que tantos anos demorámos a construir, todos conscientes que com mosquitos destes não há volta a dar.