2007/05/30

Nada como esclarecer as coisinhas

Os deputados do PS impediram ontem a audição imediata da ministra da Educação no Parlamento, como pretendia o PSD, adiando todas as explicações sobre o caso DREN e o afastamento do professor Charrua para quando estiver concluído o inquérito em curso à situação."

A situação está ainda no plano administrativo, não chegou ao gabinete" de Maria de Lurdes Rodrigues. "Quando a ministra puder dar alguma explicação, deverá dá-la, mas nunca antes", defendeu Manuela de Melo do princípio ao fim da reunião da Comissão de Educação, onde o assunto foi discutido, rejeitando todos os argumentos da oposição.

E foram muitos."Há sanções a serem aplicadas para punir um delito de opinião, um professor viu a sua requisição de serviço terminada ilegalmente, há recursos hierárquicos e a ministra não sabe de nada? Mesmo que não soubesse, tinha de procurar saber", disparou Pedro Duarte (PSD).

"O que vocês estão a fazer é arranjar expedientes dilatórios para dar cobertura ao clima de medo generalizado na Administração Pública, a omissão da ministra da Educação e do primeiro-ministro fomentam a intimidação", juntou.

"Fernando Charrua foi saneado do serviço em que estava há muitos anos e voltou à escola de origem", acrescentou Emídio Guerreiro, também social-democrata. "Há um processo político que tem responsabilidades políticas e o PS está a ser cúmplice neste processo", acusou.

Em defesa do PS, João Bernardo acabou por fazer uma revelação: "Não há nenhuma suspensão preventiva do professor; se houve, foi cancelada. Se houve recurso, já não há.

O que houve, prosseguiu, foi uma reavaliação da confiança política que fundamenta a requisição de serviço feita anualmente: *

O professor está na sua função de origem, não há qualquer sanção."

(...)

in Publico

* Quem me souber traduzir isto de outra maneira do que uma simples sanção decorrente de um delito de opinião, agradecia.

Liberdade de Imprensa Socialista

O Sindicato dos Jornalistas denunciou ontem no Parlamento que profissionais experientes e incómodos para os órgãos de comunicação social estão a ser expulsos das redacções.

Na reunião, destinada a discutir o novo estatuto da classe, o PS admitiu abandonar a proposta de sanções pecuniárias para os jornalistas que infrijam as regras disciplinares previstas no projecto de lei do Governo.

A profissão de jornalista é muitas vezes exercida em condições de precariedade contratutal e "sob a ameaça permanente de reestruturações que conduzem ao emagrecimento das redacções e ao seu empobrecimento", afirmou o presidente do sindicato da classe (SJ), Alfredo Maia, aos deputados da Subcomissão de Comunicação Social. "Jornalistas experientes e com capacidade crítica foram expulsos das redacções", ilustrou.

A denúncia tinha como objectivo mostrar que a autonomia editorial e a independência económica são condições necessárias para que os jornalistas possam ser responsabilizados pelo seu trabalho, tal como prevê o diploma do Governo.

Mas a gravidade das afirmações levou o deputado do PSD Luís Campos Ferreira a propor uma nova reunião "de urgência" com o SJ apenas sobre este assunto. O encontro ficou acordado, mas poderá realizar-se à porta fechada, com o sindicato a justificar "a necessidade de reserva da publicidade de nomes daqueles que foram expulsos", com o "medo" existente "dentro e fora das redacções" e o risco de "inviabilizar a sua futura integração nas redacções".

Ontem durante a discussão das alterações ao Estatuto do Jornalista o PS admitiu, no documento final, desistir da exigência do pagamento de coimas pelos jornalistas que infrinjam as regras deontológicas, algo proposto pelo Governo e que tem sido contestado pela oposição. "Se é essa a dificuldade, retiremos as sanções pecuniárias", concedeu o deputado socialista e ex-secretário de Estado da Comunicação Social Arons de Carvalho, salientando que o PS já tinha proposto uma alteração à proposta inicial para que este pagamento só fosse aplicado quando o jornalistas já tivesse tido três advertências por violação das regras disciplinares no espaço de três anos.

O PSD insistiu também na necessidade de dotar a comissão da carteira profissional - que de acordo com o novo diploma passa a exercer funções de regulação disciplinares - de meios para poder exercer as novas competências.

A protecção dos direitos de autor foi ontem outra das questões levantadas. O sindicato diz-se preocupado com a proposta do Governo que permite às empresas de comunicação disporem de um artigo do jornalista durante o mês seguinte à sua primeira publicação.

De acordo com a proposta do Governo, as empresas podem republicá-lo e distribuí-lo noutros órgãos do grupo sem que isso implique uma remuneração acrescida para o jornalista. "A empresa é dona e senhora dos artigos durante 30 dias, o que lhes permite renegociar os artigos com as empresas de climping", defendeu Maia.

Já o PS argumenta que esta é a primeira vez que a possibilidade de a entidade empregadora utilizar os artigos dos jornalistas é limitada. "Esta lei não traz nenhum agravamento da situação. Esse direito [de utilização do trabalho do jornalista] fica balizado, o que até agora não acontecia", salienta Arons de Carvalho.

Nova reunião poderá ser à porta fechada para protecção de jornalistas "expulsos" de redacções*

in Público

* Como é clarinho, o PS não quer a porta fechada para se falar nestas questões.

2007/05/24

Um problema de escolha de palavras

«Fazer um aeroporto na margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico, porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que seria preciso levar para lá milhões de pessoas», disse Mário Lino durante um almoço debate sobre «O Novo Aeroporto de Lisboa», promovido pela Ordem dos Economistas.

Quase chorei com a bondade implícita nas suaves palavras de Lino, sem noção nenhuma de que caíram uns muros, que naquela cabeça ainda se mantêm, avisa-nos com um sorriso que não quer deslocar sovieticamente uns milhões para um deserto qualquer lá para sul.
Lino bem pode ter saído do Partido Comunista, estou na dúvida é se o Partido Comunista saiu do Ministro Lino.

Mas o que seria um problema de escolha de palavras, como atempadamente veio o Senador Almeida Santos, com igual bondade e cuidado avisar-nos, ficou feito em estilhaços quando o vetusto Senador no alertou, a propósito, dos perigos do dinamite nas estruturas que mantêm a nossa capital em contacto com os desertos a sul.

Assim, entre a ameaça de nos dinamitarem as pontes, deslocarem milhares de pessoas e outros horrores, chegamos à única solução possível e aceitável: Todos para a OTA.

Ler mais aqui:

ALMEIDA SANTOS: O DELÍRIO
MÁRIO LINO: O DELÍRIO
Ora vamos a um "um supÔÔnhamos".

2007/05/21

e palmas comprometidas para o Telmo

Live and in colour, Portas anuncia dois nomes de ilustres desconhecidos, cujos nomes não decorei, mas o último é o vereador que talvés, talvez, talvés.... bem que se calhar o PP vai eleger em Lisboa, depois deu-nos a Teggy, Tegy, a Teresinha e Nobre Guedes para fechar com nota de ouro, oiro... enfim, uma nota qualquer, o nome do presidente do grupo parlamentar, Telmo Correia (o único com nome mais popularucho lá do burgo) para Presidente da Câmara.

Ou seja, Telmo não ganha e volta para a AR, onde de resto não sai, Nobre Guedes tem mais com que se chatear, a Teresa Caeiro tem mais que fazer e sobra uma tal "não sei das quantas" que é muita competente...

Quanto menos se esperava eis que...




Note-se que mesmo para um entertenimento bacoco e atarantado como os filmes anteriores, com excepção do primeiro filme, nada de tão sangreto e brutal fora introduzido no plot.

Isto, esta coisa que ai vem, é também sinal dos tempos e do pessimismo em que este nosso mundo revolve.

So what kid?

Registo para memória selectiva e que não valem um caracol

Ele é engraçadote e tudo…

É o que oiço por aí de Fernando Negrão, eu com os gostos do mulherio não me meto, não percebo sequer, mas baixo a tromba em reflexão.
Uma merda de critério, mas vale tanto como não gostar de Mendes porque se reduz as ideias a centímetros. Esse primarismo cala fundo em muita gente, bruta e que caga para as elevadas considerações dos comentadores, mesmo grandes comentadores, como este gajo aqui.

Como se ler muita opinião fosse irrelevante, melhora a nossa, dá-lhe substância, mas como as consequências práticas de um cozido à Portuguesa. O da nossa mãezinha há-de ser sempre o melhor, dê lá por onde der, mesmo quando o feito culinário não é digno da gamela de um canídeo. A opinião vale pouco para esta gente que reduz tudo ao mais elementar instinto, essa é que é essa.

O que é, tem muita força (neste caso é mesmo verdade)

Este é um dos artigos, dos vários escritos por Pacheco Pereira, mais demolidores que li nos últimos anos. Não é um murro nas ventas, não é uma bomba ou pedrada no charco, não nenhuma dessas merdas... é muito melhor que qualquer berraria, há nele uma desilusão e um encolher de ombros que literalmente rebenta com Costa.

Imagine

Que uma qualquer funcionária mais zelosa admoestava um ex-deputado socialista, funcionário na mesma empresa pública, por tecer comentários pouco abonatórios sobre um PM social-democrata?

Imagine que para cúmulo, era suficientemente doida para lhe aplicar um castigo pela aleivosia?


Imagine o que já não se diria por aí.


A sério, imagine lá um disparate desses.


Tenho a certeza que este senhor não lhe chamaria zelo, até por que acha que este clima que se vive é pura fantasia, é homem que não se deixa enganar pelas escolhas de terceiros num sistema que se quer estupidamente democrático e pluralista.

2007/05/18

Judíce, o Mandatário

Não faz nem um mês e escreveu-se que o ex-bastonário dos Advogados, José Miguel Júdice, foi convidado pelo primeiro-ministro para presidir a uma nova entidade que vai gerir a zona ribeirinha entre Santa Apolónia e a Ajuda, «ficará por cima do município de Lisboa e da Autoridade do Porto de Lisboa», retirando poderes ao município e poder canalizar para a zona de Lisboa fundos comunitários (do QREN), que escaparão ao controlo político de Paula Teixeira da Cruz e da Assembleia Municipal de Lisboa.

Agora, pagando o favor tão simpático, assume o cargo de Mandatário de António Costa.

Saldanha Sanches, para quem esta coisa de ser Mandatário Financeiro, até para por fim a esta promiscuidade entre dinheiros e interesses políticos, é uma maçada em que se envolveu e tal como afirmou à SicN, porque tinha de ser coeerente com o que afirmava, deve achar esta situação a coisa mais normal do mundo.

2007/05/17

Ela é má… não gosta de nós!

Escreve o Daniel Oliveira, como quem não sabe, que “Não haverá convergência entre Sá Fernandes e Helena Roseta para uma lista comum e independente, por indisponibilidade, ainda não explicada, da candidata.”

Bem. Ajudemos Daniel que parece estar um pouco distraído.
Numa convergência como esta, é preciso saber a quem aproveitava. Não aproveitava a Roseta, que perdia espaço de manobra e tinha que lidar com a presença mediática de Sá Fernandes. Aproveitava e bem, ao BE, que vê com alguma preocupação fugir algum eleitorado para Roseta e sacudia a pressão que o PC vai fazer para recuperar espaço e votos que perdeu.
Acrescenta-se que Roseta perderia votos que lhe serão dados pela sua candidatura à revelia do sistema partidário. Ainda bem para ela.

O oportunismo do BE ficou bem patente neste pequeno mas clarificador episodio sobre a verdadeira natureza desta agremiação.

2007/05/16

mas negro, negro é este conjunto de figuras...

que a revista Focus, que reputo de normalmente mal informada, vem falar. Uma espécie de tertúlia orientada pelo mais improvável dos líderes, Henrique Freitas.

Este rapaz, rodeou-se de extraordinárias cabeças pensantes, Helena Lopes da Costa, Luís Filipe Menezes, Marco Almeida, Virgílio Costa, Jorge Varanda, Matos Correia (excepção à regra e só por distração é que foi apanhado) e Martins da Cruz (que literalmente foi apanhado na rua a passear o canideo)

Há merdas que não se entendem, esta disparidade entre a pessoa e as suas escolhas políticas, a primeira é culta, simpática e capaz, as segundas mostram outra que não sei quem é mas só pode ser tonta.

Fernandão, o Negão!

... depois de ter tremido com a ameaça dessa figura notável que é o Ferreira do Amaral, dão-me a notícia de que vai o Fernando Negrão.

Depois de um processo apalermado que ao que sei só a versão do FAL* no DN anda perto, chegamos a este resultado.

Subestimar Negrão pode ser um jogo perigoso, Costa que de parvo não tem nada jamias o fará.

Confesso, gosto do rapaz, é para sacrificar e sendo a minha preferência outra, desejo-lhe a melhor das sortes.


* Uma notazinha, parece que ando obcecado com o Chico, mas só para apontar a merda de título que lá foi posto, até parece encomendado pela ala menezistaousantanista com quem o Chico se dá tão bem. Há merdas que um jornalista, mesmo com poucas fontes, não se devia prestar.

...nem 5 segundos depois...

recebo o sms de um socialista: "a coisa tá preta, um preto contra um negrão"

2007/05/15

Sobre esta posta do FAL aqui em baixo, que agora que leio duas horas depois me parece ser uma bela merda

...nem por isso, já estou a imaginar o Chico a arrepiar-se todo. Mas agora que penso melhor e os vapores do digestivo do almoço já se dissiparam - eu não funciono à tarde - esta coisa do Costa ser o norte e eu percebo a imagem poetica, do Sócrates, parece-me péssima conclusão, ou corolário, ou o caraças. Não há dúvida que o gajo é bom, tão bom que mesmo que os tecnico-tácticos conselhos da máquina socialista sejam do calibre que fodeu o Carrilho, estou convencido que o Costa passa a edil. Não sei é se isso é bom. Parece-me que não, mas ainda não faz muito tempo e pareceu-me que o Sporting ia ter uma sorte do catano e puff! Nada. Já me enganei antes.
De qualquer forma, de uma forma qualquer e outros malabarismos poéticos, o que me está a lixar é ver que a minha querida Manelinha não tem tomates para avançar (coisa que ela não tem culpa) no que se aproxima do que andam aí a dizer do Seara e no fim o Mendes tem que ir à porrada com um coxo como o Ferreira do Amaral, uma espécie de Fernando Santos da política, um natural born looser.
Sinceramente, se o Mendes se vir na circunstÂncia de estar rodeado de tanta covardolas que tem de recorrer a tipos requentados, mais vale manda-los todos para o caralho, apoiar a Roseta e a elite pseudo-informada do PSD que se amanhe.

O melhor post do dia (end of story)

Costa, o imbatível?

António Costa é, obviamente, um excelente candidato do PS à Câmara Municipal de Lisboa nas eleições intercalares de 1 de Julho. Melhor só António Vitorino ou talvez Jorge Coelho, noutras circunstâncias. Costa é credível, tem peso político, não é nenhum vendedor de banha da cobra como muitos que militam no PS. Sucede, porém, que é o número dois do executivo, é o suporte político de José Sócrates, é o seu Norte. É a referência de bom senso, quando muitos naquele Governo se pautam por um seguidismo cego face a Sócrates. Costa tem voz própria, gere 'dossiers' muito importantes ao nível da Administração Interna e é fundamental numa altura em que Portugal prepara a presidência da União Europeia no segundo semestre deste ano. Por isso, compreendo as reservas que certa imprensa diz que Cavaco Silva tem em relação à saída daquele nome do executivo. Compreendo também que a matéria deveria ter sido primeiro analisada com o Presidente da República, antes de o ser nos órgãos próprios do PS. Mas Sócrates está encurralado com a candidatura de Helena Roseta e com a provável profusão de candidaturas à esquerda. João Soares, António José Seguro, Ferro Rodrigues, Maria de Belém, Ana Paula Vitorino ou qualquer outro deste género não oferecem garantias de uma vitória. Costa sim.
Mas Costa não é imbatível, ao contrário do que o PSD vai julgando por estes dias. Desde que se soube que o Secretariado do PS, vulgo Sócrates, tinha escolhido o ministro que Marques Mendes perdeu o controle do processo de escolha do candidato do PSD. Com um óbvio nervosismo, Mendes deixou que várias figuras próximas de si sondassem candidatos, fizessem contactos e acabou por acontecer o insólito: Fernando Seara, que nem sequer era a primeira escolha, a dizer nas televisões que foi convidado e que por "motivos pessoais" não aceita. A partir de agora qualquer nome que não seja de primeira água será uma segunda escolha. Porque Costa não é imbatível, mas será um osso muito duro de roer. O PSD tem que apelar aos seus melhores quadros. Ao nível de uma Manuela Ferreira Leite ou de uma Paula Teixeira da Cruz. Tudo o que vier por aí abaixo estarám condenado ao mais humilhante dos resultados. A ex-ministra está bem no seu lugar de administradora de um grande banco espanhol. A advogada tem certamente motivos fortes para não aceitar. Só que pertencer a um partido como o PSD não tem só vantagens, há sacrifícios que se têm de fazer. E este era, ao mesmo tempo, o grande desafio.

FAL no Corta-Fitas